3-d
INTRODUÇÃO
Com o advento do Cinema Digital passou a obrigatório fazer-se,
sempre, referência a imagens “tridimensionais”,
ou melhor, estereoscópicas, sempre que se fala dos benefícios
que esta nova tecnologia, definitivamente aceite pela indústria,
transporta para o Cinema, pois a qualidade intrínseca de
cada imagem vale por si só, em especial se apresentar a
característica 4K.
Mas, o 3-D não está só a invadir o Cinema,
dado que há algum tempo que marca presença em
tudo o que é parque temático e iniciou o seu percurso
rumo à Televisão dita de Alta Definição,
tendo a BBC feito uma transmissão desportiva, para efeitos
de teste, em Março último, na qual se confrontaram
a Inglaterra e a Escócia na modalidade de rugby. Os testes
continuam.
HISTÓRIA EM VERSÃO ABREVIADA
A primeira tentativa de utilização de uma imagem
estereoscópica no Cinema remonta a 1890, apesar da sua
invenção se ter dado cinquenta anos mais cedo,
concretamente, em 1840, só que à data o Cinema
ainda não tinha sido inventado.
Desde então, em especial nas décadas 50 e 80,
do século passado, o recurso ao 3-D foi frequente, mais
na óptica de se obter uma nova sensação
ao visionar-se um filme, o qual, devido às suas características,
como acontece com os filmes de terror, transmitem ao espectador
arrepios muito mais eficazes.
Há quem considere o 3-D como um brinquedo dos técnicos
que procedem ao seu desenvolvimento, o qual está associado
a uma máquina maquiavélica de fazer dinheiro a
todo o custo, pondo-se de lado a ideia de que a sua boa aplicação
nunca resultará em arte.
Quem não se recorda das “soberbas” imagens
que os “ViewMaster’s da nossa infância, as
quais nos transportavam para mundos reais e imaginários,
através de simples discos de cartão, em cuja periferia
se colocavam as imagens (7+7), uma por cada olho, sendo a mudança
feita pelo utilizador por actuação deste sobre
uma alavanca colocada no lado direito do dispositivo.
Tal como tinha acontecido com o Cinema, a Televisão
não quis ficar para trás, pelo que, a nível
mundial, se deu durante os anos 80 a fobia da emissão
de programas tridimensionais, baseados, precisamente, em filmes
com esta característica.
À época a RTP associou-se à moda de então
ao transmitir o filme “O Monstro do Lago”, sendo
o mesmo o responsável por alguns sustos (poucos) que
as imagens nos faziam sentir.
O filme transmitido apresentava para todos aqueles que não
usavam óculos, duas imagens ligeiramente decaladas, uma
em tons de vermelho e outra com o matiz ciano, sendo uma cor
para a imagem do olho direito e a outra para o olho esquerdo.
Dado que os filtros que constituem os óculos só
se deixarem atravessar por um dos matizes, o envio correcto
para cada um dos olhos torna-se fácil, contudo, a qualidade
final não era, de facto, muito boa, embora se possa considerar,
no puro campo experimental, um momento marcante, porque histórico.
Tal como acontece frequentemente, sempre que algo de “anormal”
ocorre há sempre quem se aproveite da situação,
pelo que se montou logo um negócio de fabrico e comercialização
dos óculos, havendo revistas, como a TV Guia, que na
compra do exemplar da semana em que a experiência ia ter
lugar ofereceu aos seus leitores, completamente grátis,
o tão desejado dispositivo de visionamento tridimensional.
O uso das imagens 3-D passou, também, a fazer parte da
oferta aos visitantes dos parques temáticos, como acontece
o Disneyland, Universal Pictures, Isla Mágica, assim
como no, então, novo tipo de salas de Cinema, dedicado
a imagens espectaculares, conhecido por IMAX, sendo neste caso
o registo das imagens em película de grande formato (65mm).
O PRESENTE
Entretanto, surgiu a projecção digital de imagens
e aqui todo este conceito de imagens 3-D se alterou.
Contrariamente a um passado recente, já não se
torna necessário recorrer a dois projectores, um com
a imagem correspondente ao olho direito e outro ao olho esquerdo,
pois a empresa REAL D CINEMA, resolveu o problema através
de um filtro polarizador de luz, o qual é colocado na
parte frontal da objectiva do projector, polarizando, deste
modo, a luz respeitante a cada uma das imagens, sendo uma polarizada
horizontalmente e outra na vertical.
Basta, agora, recorrer-se a óculos, também, polarizados,
para se obterem resultados de profundidade notáveis,
pois o “Titanic” é outro filme quando visto
em 3D.
É óbvio que aqui o som, do tipo “surround”
7.1, dá uma grande ajuda, pois o transporte para dentro
da cena dá-se mesmo.
Juro!!
No campo da televisão está a ser feito um enorme
esforço de desenvolvimento, tanto na vertente 3D com
óculos, como na visão directa sem recurso a qualquer
elemento perturbador entre as imagens exibidas e o olho humano,
sendo para este último caso a Philips a líder
mundial já com equipamentos no mercado doméstico.
Segunda a nossa opinião há ainda algum desenvolvimento
a fazer-se, pois quando se sai do plano frontal do ecrã
o efeito perde-se na razão directa do afastamento.
Mas, não temos quaisquer dúvidas, nos dias que
correm, que o futuro destas tecnologias, tanto no Cinema como
na Televisão, está dependente do não recurso
aos óculos, pois estes, para além de caros, pesados
e inestéticos amiúde a qualidade intrínseca
da imagem.
(ver também)
CINEMA
DIGITAL e
ALTA DEFINIÇÃO
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